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22 Aug, 2021

Canto de Claudia Netto ilumina encenação de 'Brasileiro, profissão: esperança' com Claudio Botelho 

Com liberdades poéticas e musicais, artistas revivem o espetáculo estreado em 1970 com Ítalo Rossi e Maria Bethânia. 

 

Resenha de musical de teatro

Título: Brasileiro, profissão: esperança

Artistas: Claudia Netto e Claudio Botelho

Texto: Paulo Pontes

Direção: Charles Möeller & Claudio Botelho

Direção musical e arranjos: Thiago Trajano

Local: Teatro Clara Nunes (Rio de Janeiro, RJ)

Data: 13 de agosto de 2021

Cotação: * * *

♪ Espetáculo em cartaz aos sábados e domingos, às 19h, até 5 de setembro de 2021.

♪ Ouvido na abertura da atual versão do espetáculo Brasileiro, profissão: esperança, o canto inicialmente a capella de Ternura antiga (Ribamar e Dolores Duran, 1960) ilumina a cena com a voz límpida de Claudia Netto.

A performance da cantora é a chama que mantém acesa o interesse do espectador pela adaptação do musical – a rigor, um show teatralizado – pela dupla formada pelos diretores Charles Möeller e Claudio Botelho.

Encenado pela primeira vez em 1970 sob direção de Bibi Ferreira (1922 – 2019), em montagem que jamais se impôs nas trajetórias do ator Ítalo Rossi (1931 – 2011) e da cantora Maria Bethânia pelos palcos brasileiros, o espetáculo marcou de fato época quando foi refeito em 1974, sob direção da mesma Bibi, com o ator Paulo Gracindo (1911 – 1995) e a cantora Clara Nunes (1942 – 1983), tendo inclusive sido eternizado em disco.

Embora o texto do dramaturgo Paulo Pontes (1940 – 1976) contenha trechos datados, sobretudo o final prudentemente suprimido por Möeller & Botelho, Brasileiro, profissão: esperança sempre se sustentou pela reunião dos irretocáveis cancioneiros dos compositores Antônio Maria (17 de março de 1921 – 15 de outubro de 1964) e Dolores Duran (7 de junho de 1930 – 24 de outubro de 1959), sendo Maria também o autor de algumas crônicas inseridas no texto.

É a música do espetáculo, convenientemente arranjada pelo violonista e guitarrista Thiago Trajano sem inventar moda, que valoriza a montagem erguida sem o habitual padrão estético da dupla Möeller & Botelho (na parte visual) por contingências do difícil momento social.

O luxo está no repertório de alto quilate e no canto preciso de Claudia Netto, hábil tanto ao encarar standard jazzístico do porte da balada Cry me a river (Arthur Hamilton, 1953) quanto o folhetim de Lama (Paulo Marques e Aylce Chaves, 1952), melodrama musical típico dos anos 1950, década áurea das trajetórias de Antônio Maria e Dolores Duran.

Botelho alcança bom momento ao dominar o idioma de Cheek to cheek (Irving Berlin, 1935), número em inglês que ilustra a habilidade que Dolores tinha para dar voz a repertório poliglota em discos, shows e/ou reuniões com amigos.

Com fragmentos do roteiro original do espetáculo, a adaptação se escora na beleza perene de canções de Dolores – como resistir à melodia de Castigo (1958), ainda que a letra retrate machismo inadmissível em 2021? – e se encerra com a parceria póstuma da compositora com Carlos Lyra, O negócio é amar (1984), veículo ideal para gracioso dueto.

No bis (e o fato de haver um bis corrobora o fato de se tratar mais de show do que de musical de teatro), o roteiro avança com liberdade poética e musical pelo repertório da peça Gota d'água (1975), momento histórico da carreira de Bibi Ferreira, atriz e cantora que remontou Brasileiro, profissão: esperança em 1998 com o ator Gracindo Júnior, filho de Paulo Gracindo.

Enquanto a pandemia inviabiliza a encenação de grandes musicais para plateias numerosas, especialidade da dupla Möeller & Botelho, o revival de Brasileiro, profissão: esperança reitera a afinidade cênica entre Claudia Netto e Claudio Botelho, afinados parceiros teatrais há 30 anos.

Eliana Pittman dá voz a 12 músicas do repertório de Elizeth Cardoso em

15 Aug, 2021

Eliana Pittman dá voz a 12 músicas do repertório de Elizeth Cardoso em álbum que compila registros de lives 

 

♪ Eliana Pittman festeja 76 anos de vida – completados ontem, sábado, 14 de agosto – com mais um álbum na discografia iniciada há 60 anos com a edição de single de 78 rotações lançado pela cantora carioca em 1961 através da gravadora Mocambo.

O álbum Canções de Elizeth chegou ao mundo digital na sexta-feira, 13 de agosto, véspera do aniversário da artista, em edição da gravadora Nova Estação, do produtor Thiago Marques Luiz.

Como o título já informa, Canções de Elizeth é disco em que Eliana Pittman dá voz a músicas do repertório da conterrânea Elizeth Cardoso (16 de julho de 1920 – 7 de maio de 1990), cantora carioca que marcou época na música brasileira, sobretudo nos anos 1950 e 1960, pela classe da voz e pela alta categoria da maior parte do repertório que registrou em coerente discografia.

Em Canções de Elizeth, álbum cuja capa expõe a cantora em foto de Murilo Alvesso enquadrada na arte de Leandro Arraes, Eliana Pittman interpreta 12 músicas alinhadas em dez faixas.

Trata-se de compilação de registros de números musicais feitos por Eliana na série de lives 100 anos de Elizeth Cardoso, idealizadas por Thiago Marques Luiz, gravadas em estúdio e apresentadas em novembro de 2020 dentro das celebrações do centenário de nascimento da cantora conhecida pelo epíteto de Divina.

♪ Eis, na ordem do disco, as 12 músicas revividas por Eliana Pittman nas dez faixas do álbum Canções de Elizeth :

1. A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha, 1957) / O amor e a rosa (Ayres da Costa Pessoa e Antônio Maria, 1960)

2. Consolação (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963)

3. Barracão (Luís Antonio e Oldemar Magalhães, 1953),

4. Canção de amor (Chocolate e Elano de Paula, 1950)

5. Folha morta (Ary Barroso, 1953)

6. Na cadência do samba (Ataulfo Alves e Paulo Gesta, 1962) / Mulata assanhada (Ataulfo Alves, 1956)

7. Molambo (Jayme Florence e Augusto Mesquita, 1953)

8. Nossos momentos (Haroldo Barbosa e Luís Reis, 1960)

9. Manhã de Carnaval (Luiz Bonfá e Antônio Maria, 1959)

10. Se todos fossem iguais a você (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1956)

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